Categorias: Seguro de Crédito

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William Anthony

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Entenda o seguro de crédito (interno e exportação), como funciona e por que ele tem papel decisivo para proteger caixa e crescer com segurança em 2026

Em praticamente todo negócio existe um ponto silencioso (e perigoso) que costuma ser subestimado: venda a prazo. Seja você indústria, distribuidor, atacado, prestador de serviços, empresa de tecnologia, agronegócio, logística, construção, saúde, educação ou comércio B2B, quando vende com prazo você vira, na prática, financiador do seu cliente. E o risco é simples: o cliente pode atrasar, entrar em recuperação, quebrar e o seu caixa é quem sente primeiro.

Esse tema ganha outra dimensão quando olhamos o cenário recente. Indicadores de inadimplência empresarial no Brasil vêm batendo recordes na série histórica, com milhões de CNPJs negativados e aumento do volume de dívidas, o que pressiona especialmente as empresas menores e as cadeias de fornecedores. E, do lado global, relatórios de crédito e insolvência indicam um ambiente de maior estresse para empresas, com projeções de alta de insolvências em 2025 e 2026 em vários mercados.

É exatamente nesse ponto que entra o Seguro de Crédito uma ferramenta que deixa de ser “acessório” e passa a ser infraestrutura de crescimento.

O que é Seguro de Crédito (em português claro)

De forma objetiva, o Seguro de Crédito Interno é uma proteção para o credor contra perdas decorrentes da inadimplência e/ou insolvência de devedores em operações a prazo realizadas no Brasil. É um produto pensado para proteger recebíveis segurados, ou seja, as faturas/vendas a prazo que sustentam o seu faturamento.

Já o Seguro de Crédito à Exportação segue a mesma lógica (proteger vendas a prazo para fora) e tem um papel histórico na viabilização do comércio exterior ao cobrir riscos típicos dessas operações, ajudando empresas a exportar com mais previsibilidade (inclusive como instrumento de acesso a financiamento).

Em ambos os casos, a ideia central é a mesma: se o comprador não paga, e isso estiver dentro das condições da apólice, o seguro indeniza a perda até os limites contratados e normalmente também envolve processos de análise e acompanhamento do risco do comprador.

Por que o seguro de crédito é “para todo mundo” e não só para grandes exportadores

Existe um mito de mercado de que seguro de crédito é algo restrito a multinacionais ou exportadores. Na prática, qualquer empresa que venda a prazo pode estar exposta ao tipo de risco que o seguro cobre. Se a sua operação depende de faturar hoje para receber em 30, 60, 90 dias (ou mais), a inadimplência deixa de ser um evento pontual e vira um risco estrutural: ela afeta o capital de giro, compromete pagamento de folha e tributos, desorganiza compra de insumos, derruba capacidade de investimento e ainda cria um efeito cascata em fornecedores.

O ponto é que, em uma economia com oscilações, o risco raramente aparece como um “não vou pagar”. Muitas vezes ele aparece como: “vou esticar prazo”, “vou renegociar”, “vou parcelar”, “vou te pagar quando eu receber”. Quando isso acontece em volume, a empresa saudável pode adoecer por caixa, não por falta de venda.

Os próprios dados de sinistros/indenizações do setor ajudam a ilustrar esse movimento. Houve períodos recentes em que as indenizações do seguro de crédito interno cresceram de forma muito intensa, reflexo direto do aumento de inadimplência e quebra de contratos comerciais; em 2025, por exemplo, foi divulgado um salto expressivo nas indenizações no primeiro semestre em comparação ao ano anterior.

Como o seguro de crédito funciona na prática (o que muda no dia a dia)

O seguro de crédito não é só “pagar quando dá problema”. Ele costuma estruturar uma rotina de gestão do risco de clientes. Em linhas gerais, a seguradora analisa compradores, define limites (quanto de exposição pode ser segurada por cliente), monitora sinais de deterioração e, se ocorrer inadimplência coberta, indeniza conforme condições, franquias, prazos e documentação previstos.

Para o negócio, isso gera um efeito muito concreto: previsibilidade de caixa. Em vez de um calote virar um rombo que destrói o planejamento, ele vira um evento com impacto controlado, com proteção contratada. E isso muda decisões de gestão: a empresa pode crescer com mais segurança, ofertar prazos com mais consistência, reduzir dependência de garantias frágeis e diminuir a vulnerabilidade a clientes “grandes demais para quebrar” (que, na vida real, às vezes quebram).

O que o seguro de crédito melhora além da indenização: crescimento, negociação e governança

Um dos ganhos mais subestimados do seguro de crédito é que ele ajuda a transformar vendas a prazo em um processo mais “profissional” e menos baseado em intuição. Quando a empresa tem política de crédito estruturada, ela geralmente negocia melhor com o mercado porque sabe exatamente onde pode alongar prazo, onde deve reduzir exposição, onde precisa de garantias adicionais e onde o risco não vale a margem.

Em muitos casos, há também impacto positivo em negociações financeiras, porque recebíveis com mitigação de risco tendem a ser percebidos como mais robustos por parceiros financeiros (isso varia por instituição e estrutura, mas o princípio de qualidade de crédito melhora). E, internamente, há um ganho de governança: comercial e financeiro passam a operar com regras claras, com menos “exceções” que viram armadilhas.

Por que 2026 tende a aumentar a importância desse seguro

Há um conjunto de sinais que empurra o tema para o centro do planejamento em 2026.

O primeiro é o pano de fundo macro de risco de empresas. Projeções internacionais apontam continuidade de pressões sobre insolvências em 2025 e 2026, o que indica um ambiente em que cadeias de pagamento podem ficar mais frágeis e o risco de “efeito dominó” aumenta.

O segundo é o contexto brasileiro recente de inadimplência empresarial em patamares recordes, com indicadores mostrando milhões de empresas negativadas e tíquetes de dívida elevados, o que costuma atingir diretamente relações B2B (fornecedor x cliente) e alongar ciclos de recebimento.

E o terceiro é um sinal do próprio mercado segurador: quando as indenizações do seguro de crédito sobem com força, isso geralmente acompanha períodos de maior estresse de pagamento e reforça o valor da proteção para quem depende de recebíveis para rodar.

Em outras palavras: 2026 tende a ser um ano em que crescer vendendo a prazo sem proteção pode custar caro, mesmo para empresas bem geridas.

“Mas o seguro de crédito é caro?” O custo real é comparar com o custo de um calote

O prêmio do seguro de crédito depende de variáveis como perfil da carteira, concentração de clientes, setores atendidos, histórico de perdas, prazos médios de recebimento e desenho de cobertura. Não existe “tabela única”. O ponto é que o custo raramente deve ser comparado com “zero”, porque “zero” é uma ilusão: vender a prazo sem proteção já tem custo embutido (perdas, atrasos, tempo de cobrança, desconto para antecipar recebíveis, juros indiretos, oportunidade perdida, estresse de caixa).

A pergunta mais madura costuma ser: qual é o impacto de uma inadimplência relevante no meu caixa? Se um único cliente (ou dois) pode tirar sua empresa do trilho, o seguro deixa de ser despesa e vira proteção do motor.

Como a Genebra Seguros enxerga o seguro de crédito: uma solução “de operação”, não só de apólice

Para funcionar bem, seguro de crédito precisa ser desenhado com o negócio real: seus prazos, sua forma de faturar, seu tipo de contrato, seu mix de clientes e a maturidade do seu processo comercial. O objetivo é que a apólice “encaixe” na operação  e não vire burocracia.

Quando bem estruturado, o seguro de crédito ajuda a empresa a manter o foco no que importa: vender, entregar, crescer e preservar caixa. Em um ciclo em que inadimplência e insolvências ficam mais prováveis, isso é diferencial competitivo.

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    Sobre o Autor

    William Anthony

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    William Anthony é jornalista especializado no mercado de seguros, com atuação em diversas publicações especialmente voltadas ao segmento. Com experiência na condução e produção de programas para rádio, televisão e internet, o profissional é fundador do portal de notícias Universo do Seguro.