O Produto Interno Bruto (PIB) voltou a crescer no segundo semestre de 2019, prova de que a economia brasileira saiu da mais grave crise econômica do século 21 (para alguns, do século XX). Infelizmente, o processo de recuperação, isto é, a velocidade da retomada do crescimento, é lenta. Entender o motivo e quando voltaremos a crescer de maneira consistente é o objetivo deste primeiro boletim de conjuntura econômica.

Qualquer analista que se debruce sobre a economia brasileira reconhece que a crise fiscal domina a agenda econômica do país. Ela congela investimentos e gera desconfiança sobre a capacidade do estado de pagar sua dívida. Desde 2014, o governo acumula déficits (quando o gasto supera a arrecadação) que levaram ao crescimento do nosso endividamento (que passou de 50% do PIB para perigosos 80%). Um passo importante foi dado no sentido de estancar o crescimento da dívida: a aprovação da reforma da previdência. Sozinha ela consome quase 50% do orçamento e a sua revisão será fundamental para atenuar o crescimento dos gastos.

O governo tem dado outros passos importantes (apesar das constantes declarações polêmicas do presidente Bolsonaro), como a medida provisória da liberdade econômica, a preocupação em retomar o controle das contas públicas, a reforma administrativa, as novas regras de saque do FGTS, etc. Essas medidas são bem-vindas pelo mercado e criam um ambiente de expectativas positivas sobre o futuro crescimento da economia. Com isso, a confiança é retomada (tanto por empresários, como por consumidores) auxiliando no retorno de um crescimento mais forte para 2020. Em momentos de crise, o estado deve sinalizar para a sociedade que está fazendo a sua parte. Ao emitir esses sinais de maneira mais clara, abre espaço para implementar outras reformas e, com inflação controlada, reduzir ainda mais a taxa de juros Selic. Por outro lado, a falta de reformas prejudicou o nível de confiança, explicando um resultado pífio para a economia brasileira em 2018.

Quando voltaremos a crescer acima de 2%?

Os primeiros passos foram dados (principalmente com a aprovação reforma da previdência), contudo deve haver prosseguimento, com a implementação de outras reformas, em especial a tributária. A importância dessas reside no fato de que elas melhoram o ambiente de negócios, tornando mais atraente para o empresário brasileiro voltar a investir. Quando isso ocorre, temos a geração de emprego e, consequentemente, de renda. Com a confiança retomada e as reformas aprovadas, teremos um cenário previsível e crível, auxiliando a retomada do crescimento do PIB. A redução da taxa de juros Selic e a gradual recuperação do mercado de trabalho juntam-se às boas notícias. O governo deve continuar a melhorar o ambiente de negócios implementando reformas. Só assim a confiança voltará e com ela o crescimento do PIB.

Sobre o Autor

Possui graduação em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002), mestrado em economia pela Universidade Federal Fluminense (2005) e doutorado pela mesma instituição em 2009.

No Instituto de Ciências Sociais (2005-2006) da Universidade de Lisboa, realizou estágio de doutoramento. Tem experiência na área de história econômica, conjuntura econômica, economia institucional e advertising economics.