O último ano foi positivo para o mercado de seguros. Segundo os dados mais recentes do setor divulgados pela Susep, entre janeiro e novembro, o lucro líquido não consolidado do mercado foi de R$ 15,7 bilhões, o que representou um crescimento de 19,9% em relação ao mesmo período de 2013. Nos cálculos do consultor Luiz Roberto Castiglione, que consolidou os dados da Susep excluindo o resultado de coligadas e controladas, o lucro líquido superou em 21,2% o resultado no ano anterior, alcançando R$ 9,5 bilhões. Ele apurou que a taxa média de retorno do patrimônio líquido anualizada foi 3% maior que em 2013, atingindo 22,8%.

No mesmo patamar, a previdência complementar também cresceu na casa dos dois dígitos, segundo levantamento da FenaPrevi. No acumulado de janeiro a novembro de 2014, as contribuições feitas por titulares de planos abertos de caráter previdenciário somaram R$ 72,4 bilhões, registrando alta de 11,13% frente aos R$ 65,2 bilhões do mesmo período em 2013. Apenas em novembro o crescimento foi 17,58%, somando o volume de R$ 8,2 bilhões. A captação líquida fechou o mesmo mês com saldo positivo de R$ 5,6 bilhões contra R$ 3,9 bilhões do mesmo período do ano anterior.

Perspectivas

Na projeção da CNseg, divulgada em dezembro, o mercado de seguros crescerá 12,4% em 2015. Os seguros gerais terão desempenho abaixo dos 9% registrados neste ano, atingindo 7,6% em 2015. Em compensação, os seguros de pessoas deverão manter a liderança dos demais segmentos. A previsão é de que a previdência complementar cresça 10,5% – um pouco abaixo dos 11% registrados em 2014 -, mas com a perspectiva de melhorar o seu desempenho diante de uma eventual recuperação da economia.

A saúde suplementar, segundo a CNseg, poderá crescer 17,5%, resultado maior que os 15,2% alcançados em 2014, quando o segmento apresentou a segunda maior arrecadação do mercado, com R$ 60,86 bilhões, 15% a mais que em 2013. A expectativa é que seguro de vida cresça 8,7% em 2015, quase 3% a mais que o registrado em 2014. A capitalização também crescerá, alcançando 8%. “Mesmo com expectativa de baixo crescimento do PIB no próximo ano, o mercado de seguros continuará crescendo na casa dos dois dígitos”, disse Marco Antonio Rossi, presidente da CNseg.

Osvaldo Nascimento, presidente da FenaPrevi, está confiante na nova equipe econômica do atual governo. Em sua avaliação, a mudança poderá trazer reflexos positivos à previdência, em virtude da tendência de maior “transparência e previsibilidade”. Ele informou que a estratégia da previdência será partir para a oferta de novos produtos – VGBL Saúde, Universal Life e seguro para fundos de pensão -, além de produtos tipificados, como o PGBL lastreado em notas do tesouro.

Desafios

Se em 2014 o setor de seguros teve bom desempenho, mesmo em cenário econômico adverso, neste o ano o desafio poderá ser maior diante das perspectivas nada positivas para a economia. Os analistas concordam em relação à tendência de fraco desempenho da economia neste ano. A maioria prevê que a inflação atingirá a casa dos 6,5% e o PIB, na melhor das hipóteses, alcançará 0,5% de crescimento. Alguns mais pessimistas, como o ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastores, apostam em crescimento econômico ainda menor do que em 2014.

Já outros, como o economista João Ricardo Costa Filho, da Pezco Micro Analysis, são mais realistas. Ele condiciona a melhoria do desempenho econômico aos ajustes fiscais, mas reconhece que o governo terá de se esforçar para conseguir o apoio político necessário. Segundo o consultor Reinaldo Azevedo, um dos fatores que explicam a fraca atividade econômica brasileira, na avaliação do Banco Mundial, é a queda de confiança dos empresários devido ao ambiente de maior incerteza política.

Nesse aspecto, as previsões dos empresários da área de seguros não destoam muito dos demais segmentos. De acordo com o Índice de Confiança do Setor de Seguros (ICSS), indicador divulgado pela Fenacor, seguradores, resseguradores e grandes corretores de seguros ainda demonstram pessimismo em relação ao futuro. Em dezembro o ICSS atingiu 82,4%, abaixo de 100, que é o valor mais alto.

Em relação ao faturamento, a maioria dos seguradores (50%), corretores (48%) e resseguradores (40%) aposta na manutenção do atual cenário nos próximos seis meses. Já o ICES – Índice de Confiança e Expectativa das Seguradoras –, também calculado pela consultoria Rating, registrou elevação no final do ano passado, atingindo 86,4. Entretanto, no ano de 2014, a variação negativa acumulada desse indicador foi de 13,0%. “Apesar da melhora nos últimos meses do ano, o pessimismo nas seguradoras permanece abaixo de 100, mas em menor intensidade”, disse Francisco Galiza, economista da Rating.

Para o presidente da CNseg, Marco Rossi, o seguro ainda tem muito espaço para crescer. Para tanto, ele considera que o mercado deve recorrer a todos os canais existentes: corretores de seguros, internet, telefone, lojas varejistas etc. “Se não conseguirmos atingir esse volume de oferta, dificilmente avançaremos para chegar a todos os brasileiros”, disse. Na visão de Rossi, cabe ao mercado levar cobertura a quem ainda não está protegido e também ampliar o nível de proteção dos que já estão amparados.