Nesta época sempre realizamos um balanço dos principais acontecimentos do ano que finda. Ao mesmo tempo, projetamos o que está por vir para definirmos nossas estratégias/ações (seja no aspecto pessoal, seja no profissional). É fato de que chegamos ao final de 2019 com um desempenho econômico modesto, porém bem melhor do que se projetava. Mas, e no próximo ano? Olhar para os fatos que se destacaram em 2019 e projetar como pode ser a economia brasileira em 2020 é o objetivo desta segunda carta de conjuntura econômica.

Antes de projetarmos o próximo ano, devemos fazer um breve resumo de alguns pontos importantes implementados durante 2019. O primeiro foi, sem sombra de dúvida, a aprovação da reforma da previdência. Isso se explica, pois os gastos com os pagamentos dos benefícios da previdência consomem mais da metade do orçamento público. Assim, aprovação da reforma sinaliza à sociedade que o governo está buscando o equilíbrio das contas públicas e que o risco de crescimento da dívida pública foi reduzido (permitindo uma política mais agressiva, por parte do Banco Central, na redução da taxa de juros Selic). Temos um longo caminho pela frente para atingirmos o equilíbrio fiscal (desde 2014 estamos no vermelho), porém um passo importante foi dado.

Ao lado da reforma previdenciária, tivemos a medida provisória da liberdade econômica que torna o ambiente de negócios no Brasil mais ágil, permitindo mais investimentos e, consequentemente, a geração de novos empregos. A continuidade de parcerias público privadas na viabilização dos investimentos em infraestrutura também deve ser mencionada. Por fim, a mudança nas regras do FGTS para saques que incentivam o aumento do consumo, impactando positivamente no desempenho da economia. Infelizmente, a lista não é muito longa, sugerindo – se quisermos obter um crescimento econômico mais robusto – que devemos persistir no caminho de uma agenda de reformas.

Conhecemos nossos desafios, agora podemos projetar como será o desempenho econômico em 2020. Esse exercício é sempre um desafio, ainda maior no caso do Brasil, seja pelas nossas fragilidades, seja pelos problemas recorrentes que a América Latina atravessa (como os protestos no Chile, ou o complicado cenário político na Bolívia). Além disso, temos a influência dos desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, sem falar na possibilidade de um menor crescimento econômico internacional que pode prejudicar nossas exportações.

De todo modo, quando analisamos os indicadores econômicos brasileiros do final de 2019, visualizamos um início de ano melhor. Isso porque, quando comparamos esses mesmos indicadores com o final de 2018, percebe-se um desempenho melhor. O resultado acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2019 é um exemplo desse movimento. Além disso, alguns indicadores antecedentes (isto é, que geralmente antecipam o desempenho da economia) estão acima de 2018 (falaremos mais sobre estes indicadores no próximo mês). Esses indicadores sugerem uma economia em recuperação e em um ritmo mais acelerado.

Assim, de um lado temos uma agenda de reformas que deve ter andamento e um cenário externo desafiador. De outro, indicadores econômicos que sugerem um 2020 melhor. Portanto, é importante continuarmos com a agenda de reformas para fazer frente a um cenário externo que pode se tornar um complicador e, ao mesmo tempo, para auxiliar na retomada mais significativa da economia brasileira.